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Ana Margarida - O que é o Digital Storytelling?

 
 
Fotografia de Ana Margarida Santos
Ana Margarida - O que é o Digital Storytelling?
por Ana Margarida Santos - Šeštadienis, 18 birželio 2016, 00:01
 

O Digital Storytelling (DS), ou narrativa digital, resulta da combinação entre a arte tradicional de contar histórias e recursos multimédia (imagens, áudio ou vídeo), em torno de um tema escolhido e com um ponto de vista particular, com o objetivo de criar um pequeno filme, habitualmente com uma forte componente emocional.

Normalmente, começa com um roteiro direcionado por um determinado objetivo e transmitido do ponto de vista ou perspetiva do autor. Uma narrativa digital deve ter uma estrutura em que a história deve ter um princípio (situação), um meio (complicação) e um fim (resolução). As ideias e emoções subjacentes, são apoiadas por música ou outros efeitos áudio, imagens pessoais ou de domínio público, animações ou vídeo. Ao juntar todas as peças e, após fazer a edição da narrativa digital, o autor cria um pequeno filme, de 2 a 4 minutos (ou de 3 a 5 minutos), num ou em vários formatos de ficheiros. Por um lado, a narrativa digital centra-se numa questão dramática ou questão-chave, que capta a atenção de que visualiza e que é respondida no final da história. Por outro lado, apoia-se em conteúdo emocional que contribui para o envolvimento do público. A utilização da própria voz é uma forma de personalizar a história conferindo um cariz mais pessoal, ao mesmo tempo que, ajuda na compreensão do conteúdo enquanto a banda sonora (música e som) sustenta o enredo da narrativa.

O DS é um processo significativo, dado que, a dinâmica de criar uma história digital cria, não só, uma oportunidade de reflexão sobre a vida, mas também, a possibilidade de encontrar ligações profundas com o assunto escolhido e trabalhado. Para além disso, permite também:

  • a promoção do sentido de individualidade e de propriedade das criações;
  • a oportunidade de experienciarem a auto-representação;
  • o desenvolvimento da proficiência em tecnologia digital e do pensamento crítico;
  • o aumento da literacia tecnológica e dos média.

Apesar disto, também existem aspetos negativos a referir:

  • é um processo mais trabalhoso;
  • são difíceis de avaliar;
  • a utilização da tecnologia digital pode requerer um apoio significativo;
  • podem existir questões relacionadas com a propriedade intelectual.

No ensino-aprendizagem, o DS pode permitir fazer a ponte entre áreas disciplinares muito distintas, aumentar a literacia da informação e pode ser usado na elaboração de e-portefolios.

Ana Margarida

 
Fotografia de Isabel Farinha Ruivo
Re: Ana Margarida - O que é o Digital Storytelling?
por Isabel Farinha Ruivo - Šeštadienis, 18 birželio 2016, 01:45
 

Olá, Ana Margarida.

Gostei de ler a tua síntese, clara e organizada.

Destacaria, como importante linha de reflexão, a dificuldade de avaliação, que referes nos aspetos negativos. Essa dificuldade advirá não só da complexidade do produto mas também dos objetivos educacionais implicados, da ordem do pensamento mais complexo. (Ainda hei de encontrar um tempinho para procurar os critérios estabelecidos pelas universidades referidas nos documentos de apoio.)

Saudações amigas.

Isabel

Fotografia de Ana Margarida Santos
Re: Ana Margarida - O que é o Digital Storytelling?
por Ana Margarida Santos - Šeštadienis, 18 birželio 2016, 12:44
 

Olá Isabel,

Em relação à avaliação, de facto, parece-nos à partida um trabalho mais difícil de avaliar mas há sempre alguém que se ocupa a pensar sobre estas questões! No site digitalstorytelling.coe.uh.edu encontrei a seguinte informação:

A avaliação das narrativas digitais pode ser feita através de itens (ou rubricas) que habitualmente incluem uma escala que fornecem uma descrição dos diferentes níveis de realização ou compreensão de um conjunto de critérios de qualidade. Distinguem-se das habituais checklists de avaliação por terem definições e descrições de critérios de qualidade que caracterizam cada nível de realização mais aprofundadas.

Os itens ou rubricas podem:

  • ser fornecidos aos estudantes antes do projeto tornando-se uma excelente forma de transmitir expetativas;
  • ser usados durante o processo como uma ferramenta de avaliação por pares;
  • e após o projeto fornecem ao professor uma ferramenta consistente e específica de avaliação.

Em 2012, McNeil e Robin, proposeram um quadro de avaliação para o DS com 3 categorias principais (deixo o original em inglês):


 Assessment Tools Evaluation Tools
Evaluator:   During
the Design Process
During
the development process
After
the project is completed
The Creator(s) 
  • Guidelines and specifications about story
  • Checklist of story artifacts
  • Graphics checklist
  • Audio checklist
  • Grammar/spelling checklist
  • Self- evaluation form
Creator’s Peers
  • Story circles (story script)
  • Story Screenings (story draft)
  • Peer evaluation
The Teacher
  • Evidence of planning process (script, storyboards, etc.)
  • Interview with creator about development process
  • Development rubric
  • Checklist of story artifacts
  • Rubric
  • Reflective paper/ video by creator
  • Evaluation of story traits such as engagement, character, and development
Espero ter ajudado.

Ana Margarida


Fotografia de Joaquim Lopes
Re: Ana Margarida - O que é o Digital Storytelling?
por Joaquim Lopes - Šeštadienis, 18 birželio 2016, 12:49
 

Olá Ana,

 

gostei do quadro que apresentaste mas parece-me que se aplica, sobretudo, às narrativas digitais que contam histórias pessoais.

 

JL

Fotografia de Isabel Farinha Ruivo
Re: Ana Margarida - O que é o Digital Storytelling?
por Isabel Farinha Ruivo - Sekmadienis, 19 birželio 2016, 12:22
 

Bom dia.

Obrigada pela partilha, Ana Margarida.

Votos de um bom domingo.

Isabel

Fotografia de Marina Moleirinho
Re: Ana Margarida - O que é o Digital Storytelling?
por Marina Moleirinho - Šeštadienis, 18 birželio 2016, 04:48
 

Olá Ana,

A tua intervenção parece-me ser uma boa síntese.

Gostei de teres colocado a bolt as palavras chave. O fato de teres também incluído "Digital Storytelling" como um processo significativo também me parece muito relevante, pois a construção de sentidos e de significados, aliada à capacidade reflexiva, que advém da criação e da narração de uma história é inevitavelmente "uma reflexão sobre a vida", um narrar de um percurso, perspetivas e pontos de vista que permite a criação de pontes para outras temáticas e abordagens, tal como também mencionas no final do teu post.

É um fato que se centra num ponto mais individual pois baseia-se "na promoção do sentido da individualidade e de propriedade de criações", tal como também destacaste, contudo é um bom ponto de partida para uma apresentação e  partilha a nível coletivo que suscita, creio,  depois uma dinâmica de aprendizagens mais "cativante", criativa, movida e, sem dúvida, motivante. E, relacionado com esta questão estou a pensar em concreto nos meus alunos de 3º ano de escolaridade do 1º ciclo, em que um dos grandes objetivos é a promoção da língua inglesa tendo como grande base a questão da oralidade.

Tendo em conta o que a colega Isabel diz a seguir no que se refere à linha de reflexão presente, sem dúvida que em termos de avaliação surgem dificuldades, até porque se temos diferentes perspetivas individuais, logo aí  o processo se torna complexo e se aliarmos os conteúdos/objetivos aumentamos ainda mais o grau de complexidade.

No entanto, já se sabe que o que nos individualiza, distingue o os que nos distingue completa, pois todos temos perspetivas diferentes que quando partilhadas nos enriquecem enquanto elementos interativos e participativos em comunidades (em constante transformação e aprendizagem!).

Um abraço, continuação de bom trabalho e obrigada pela partilha!

M